Situação típica: afastado, em tratamento, com perícia marcada
Imagine alguém com quadro de ansiedade ou depressão que já não consegue trabalhar como antes. Essa pessoa faz tratamento, tem atestados, mas sente que na perícia não consegue mostrar o que vive no dia a dia. É nesse cenário que o laudo psicológico costuma ser procurado: para descrever de forma técnica como estão as funções psicológicas e de que modo elas interferem na rotina e no trabalho.
O laudo também pode ser útil em pedidos de prorrogação, em recursos administrativos ou quando o tratamento muda e é preciso registrar a evolução.
O que o laudo pode e o que não pode fazer
| O laudo pode | O laudo não pode |
|---|---|
| Descrever os procedimentos usados na avaliação e o que foi observado | Garantir a concessão, a prorrogação ou o restabelecimento de benefício |
| Relatar como a condição psicológica interfere nas atividades e no trabalho | Substituir a perícia médica ou o diagnóstico feito pelo médico |
| Somar-se aos relatórios do psiquiatra e de outros profissionais | Afirmar algo que a avaliação não encontrou, a pedido de quem quer que seja |
| Registrar recomendações de acompanhamento | Definir data de retorno ao trabalho, decisão que cabe a outros profissionais |
Compromisso com a verdade. O laudo é técnico e imparcial. Ele relata o que a avaliação mostrou, mesmo que isso não seja exatamente o que o paciente espera. É essa imparcialidade que dá valor ao documento.
O que levar para a avaliação
- Documento com foto e número do benefício, se já houver um em andamento.
- Relatórios médicos: principalmente do psiquiatra, com diagnóstico e tratamento em curso.
- Lista de remédios que você usa e há quanto tempo.
- Comunicações do INSS: carta de indeferimento, agendamento de perícia ou exigências, se houver.
- Histórico de afastamentos: atestados e períodos anteriores fora do trabalho.
Como a avaliação acontece
- Primeiro contatoPelo WhatsApp, você conta brevemente a situação e informa se há perícia já marcada.
- EntrevistasO psicólogo investiga sua história, os sintomas, o impacto no dia a dia e no trabalho, e o tratamento que você faz.
- Testes, quando indicadosInstrumentos psicológicos podem ser usados para avaliar aspectos como humor, ansiedade, atenção ou memória.
- Devolutiva e entregaVocê conversa com o psicólogo sobre as conclusões e recebe o laudo para anexar ao seu processo.
O número de encontros é combinado no início e depende da complexidade do caso.
Um cuidado importante: o laudo descreve a sua condição no período em que a avaliação foi feita. Se a perícia acontecer muito tempo depois, ou se o quadro mudar de forma significativa, pode ser necessário atualizar as informações. Converse com o psicólogo sobre o momento mais adequado para a avaliação, considerando a data da perícia e o andamento do seu tratamento. Para dúvidas sobre prazos, recursos e direitos no processo administrativo, a orientação deve vir do próprio INSS ou de um advogado.
Além do documento: cuidar de quem está afastado
O período de afastamento costuma vir com culpa, medo do futuro e preocupação com dinheiro. O laudo resolve uma necessidade burocrática, mas o cuidado continua sendo o tratamento. Se você ainda não tem acompanhamento, considere a psicoterapia individual e a consulta de psiquiatria. Quando chegar a hora de voltar, a avaliação para reabilitação profissional pode ajudar a planejar esse retorno.
Se em algum momento você pensar em se machucar, procure um serviço de urgência ou ligue para o CVV, no 188.
Preparo, disponibilidade e prazos são informados no agendamento. Muitos exames exigem pedido médico.