O perigo que não se vê
Um tanque vazio parece seguro. Uma galeria de esgoto sem cheiro forte parece tranquila. Mas o oxigênio pode ter sido consumido por ferrugem ou fermentação, e gases como o sulfeto de hidrogênio, em certas concentrações, deixam de ser percebidos pelo olfato. Em espaços confinados, é comum que a primeira vítima seja quem entrou para trabalhar e a segunda, quem entrou para tentar ajudar.
A NR-33 define espaço confinado como área não projetada para ocupação humana contínua, com meios limitados de entrada e saída e em que pode existir atmosfera perigosa. Ela exige identificação desses locais, procedimentos de entrada e capacitação de todos os envolvidos.
Exemplos que encontramos nas empresas
- Silos e moegas de grãos em armazéns e cooperativas.
- Tanques de combustível, de produtos químicos e de fermentação.
- Galerias, poços de visita e redes de esgoto.
- Reatores, digestores, caldeiras e fornos em parada de manutenção.
- Reservatórios de água de grande porte e cisternas.
- Caixas subterrâneas de passagem de cabos elétricos e de telecomunicações.
Papéis diferentes, capacitações diferentes
| Papel | O que faz | Ênfase da capacitação |
|---|---|---|
| Trabalhador autorizado | Entra no espaço e executa a tarefa | Reconhecimento de riscos, uso de equipamentos, saída de emergência |
| Vigia | Permanece do lado de fora acompanhando a entrada | Controle de entrada e saída, comunicação, acionamento do resgate |
| Supervisor de entrada | Emite e encerra a Permissão de Entrada e Trabalho | Avaliação das condições, medidas de controle, decisão de liberar ou cancelar |
| Equipe de resgate | Atua na retirada de vítimas | Técnicas de resgate, equipamentos de içamento e primeiros socorros |
A capacitação inicial deve ocorrer antes do primeiro trabalho, e a periódica, conforme a NR vigente. Mudanças nos procedimentos, nos equipamentos ou na própria função também pedem nova capacitação.
Da PET ao fechamento da entrada
- Identificação e isolamentoSinalizar o espaço, impedir acessos não autorizados e bloquear energias e entradas de produtos.
- VentilaçãoRenovar o ar interno com o método adequado ao espaço e ao contaminante.
- Medição da atmosferaAvaliar oxigênio, inflamáveis e tóxicos antes e durante a entrada, com equipamento calibrado.
- Permissão de Entrada e TrabalhoO supervisor confere as medidas e emite a PET com os nomes de quem vai entrar.
- Entrada vigiadaTrabalho com vigia presente o tempo todo e comunicação constante.
- EncerramentoSaída de todos, conferência da equipe e fechamento da PET.
Resgate não é improviso. Antes de qualquer entrada, a empresa precisa ter equipe e equipamentos de resgate definidos para aquele espaço. Na prática da turma, simulamos a retirada de um trabalhador para testar o plano na vida real.
Serviços contratados em espaços confinados
Muitas entradas em espaços confinados são feitas por empresas contratadas, como as de limpeza de tanques, desentupimento ou manutenção de silos. Nesses casos, a contratante não pode simplesmente abrir a porta e deixar o serviço acontecer. Ela deve conhecer os riscos do seu espaço, exigir os certificados das funções envolvidas, verificar a permissão de entrada e garantir que o resgate esteja previsto. Ajudamos a montar um roteiro de liberação de terceiros, para que a portaria ou o setor de manutenção saibam o que conferir antes de autorizar a entrada.
Saúde, equipamentos e outras normas
A aptidão para espaço confinado deve constar no ASO, conforme o PCMSO. Quando a atmosfera exige proteção respiratória, a escolha do equipamento segue o programa de proteção respiratória. Entradas verticais, como em silos e poços, envolvem também o trabalho em altura. Ao final, a empresa recebe certificados por papel, registros de presença e as observações da prática de resgate.