O que conta como mudança de risco
O nome é preciso: o que dispara o exame não é a troca de cargo, e sim a troca de exposição. Se uma auxiliar administrativa vai para o almoxarifado e passa a operar empilhadeira, a exposição mudou. Se um soldador é transferido de unidade, mas continua fazendo a mesma solda com o mesmo processo, talvez não tenha mudado nada.
Alguns exemplos que costumam exigir o exame:
- sair de um escritório para a área de produção, com ruído ou poeira;
- começar a manusear produtos químicos que antes não fazia parte da rotina;
- passar a trabalhar em altura, em espaço confinado ou com eletricidade;
- entrar em turno noturno ou em atividade com exigência física maior;
- assumir a direção de veículos da empresa.
O papel do PGR nessa decisão
A única forma segura de saber se houve mudança de risco é olhar o inventário do PGR. Ele descreve os perigos de cada setor e função. Comparamos a situação de origem com a de destino e respondemos a duas perguntas: quais riscos são novos para a pessoa e quais exames o PCMSO prevê para eles.
| Exemplo de transferência | O que pode entrar no exame |
|---|---|
| Escritório → linha de produção ruidosa | Avaliação clínica e audiometria de referência |
| Expedição → setor de pintura | Avaliação clínica e indicadores de exposição a solventes, se previstos |
| Manutenção em solo → trabalho em altura | Avaliação clínica voltada à aptidão para altura e complementares previstos no PCMSO |
| Função interna → motorista | Avaliação clínica, acuidade visual e o que o PCMSO indicar para a direção |
Os complementares da tabela são exemplos. A lista definitiva sempre vem do PCMSO da empresa.
Por que fazer antes, e não depois
A NR-7 determina que o exame aconteça antes da data da mudança. A lógica é a mesma do admissional: registrar como a pessoa está antes de começar a nova exposição. Se a audiometria é feita depois de semanas no setor ruidoso, por exemplo, já não serve como referência confiável para comparar com os exames futuros.
Na prática: o exame de mudança de risco costuma ser esquecido porque a transferência acontece no meio do mês, de forma rápida, e só o gestor do setor fica sabendo. Combine com as lideranças que toda movimentação de pessoal passe pelo RH antes de acontecer.
Como organizamos o exame
- O RH informa a movimentaçãoSetor e função de origem, setor e função de destino e a data prevista.
- Comparação dos riscosConferimos no PGR e no PCMSO o que muda e quais exames entram.
- AtendimentoO trabalhador faz o exame clínico e os complementares no mesmo agendamento sempre que possível.
- Novo ASOO atestado registra os riscos da nova atividade e a conclusão de aptidão para ela.
Os documentos que mudam junto
O exame é só uma parte da mudança. Quando a exposição de um trabalhador muda, outros registros também precisam acompanhar: a ficha de EPI, que passa a incluir os equipamentos da nova atividade; os treinamentos exigidos para a nova função, como trabalho em altura ou operação de máquinas; e as condições ambientais informadas no evento S-2240 do eSocial. Deixar um desses itens para trás cria inconsistências que aparecem justamente em fiscalizações e processos.
Por que fazer com a MT12
Como trabalhamos com o programa e com o exame, a pergunta "precisa ou não precisa?" tem resposta rápida e fundamentada. O RH avisa pelo WhatsApp, nós conferimos os riscos e marcamos o atendimento em Goiânia antes da transferência. Se a movimentação revelar uma função que não está descrita no PGR, apontamos a lacuna para que os programas sejam atualizados.