Pular para o conteúdo
Medicina e segurança do trabalho · Goiânia e região (62) 3661-0052 · Seg. a sex., 7h30 às 17h, com agendamento
MT12Saúde e Segurança

Resíduo classe I ou classe II: como a empresa descobre pela NBR 10004?

Tratar todo resíduo como perigoso custa caro, e tratar como comum o que é perigoso pode render autuação e passivo ambiental. Este guia mostra como a classificação pela ABNT NBR 10004 resolve essa dúvida de forma técnica.

Publicado em 14/10/2026 · 5 min de leitura

Por que essa dúvida aparece em toda empresa

Quase todo negócio de Goiânia gera algum resíduo além do lixo do escritório: borra de tinta numa marcenaria, estopa com óleo numa oficina, lodo da caixa separadora num lava-jato, sobras de solvente numa gráfica, embalagens de produtos de limpeza numa indústria de alimentos. Na hora de contratar a coleta, surge a pergunta que o transportador, o aterro e o órgão ambiental vão fazer: esse resíduo é perigoso ou não?

A resposta não pode ser um palpite. Quem decide "no olho" corre dois riscos opostos. Se classifica como perigoso um resíduo que não é, paga transporte e destinação mais caros sem necessidade, todo mês. Se classifica como comum um resíduo perigoso, ele pode acabar num aterro inadequado, e a responsabilidade pelo dano continua sendo de quem gerou, como prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010).

A ferramenta para resolver essa dúvida é a classificação de resíduos pela ABNT NBR 10004, a norma brasileira que organiza os resíduos sólidos em classes conforme o risco que oferecem.

As classes em linguagem simples

A NBR 10004 separa os resíduos em dois grandes grupos e subdivide o segundo. A tabela resume a lógica, sem entrar em critérios numéricos, que dependem dos ensaios e da versão vigente da norma.

ClasseIdeia centralExemplos frequentes
Classe I – PerigosoApresenta característica que oferece risco à saúde ou ao ambiente, como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade, ou consta nas listagens da norma.Borras de tinta e solvente, estopas contaminadas com óleo, lâmpadas com mercúrio, embalagens de produtos tóxicos.
Classe II A – Não perigoso, não inerteNão é perigoso, mas pode reagir com o ambiente, por exemplo, se decompondo ou liberando substâncias na água.Restos de alimentos, lodos de processos sem contaminantes perigosos, papel e madeira não tratada.
Classe II B – Não perigoso, inerteNão perigoso e praticamente não altera a água em contato com ele, conforme os ensaios da norma.Alguns entulhos limpos, vidros e certos materiais minerais, quando os ensaios confirmam.

Os exemplos da tabela são apenas pistas. O mesmo material pode mudar de classe conforme o que entrou em contato com ele. Um pano de limpeza usado com água e sabão é uma coisa; o mesmo pano encharcado de solvente é outra.

Como a classificação é feita, passo a passo

  1. Levantar a origemIdentificar em que etapa do processo o resíduo nasce, quais matérias-primas e insumos participam e com que frequência ele é gerado.
  2. Reunir as fichas dos produtosAs Fichas de Dados de Segurança (FDS) mostram os componentes perigosos dos produtos químicos usados, informação valiosa para o enquadramento.
  3. Consultar as listagens da normaAlguns resíduos já aparecem listados como perigosos pela sua origem ou composição. Se o resíduo estiver lá, a classificação fica mais direta.
  4. Decidir se é preciso analisarQuando a origem não basta, coleta-se uma amostra representativa para ensaios em laboratório, que verificam as características previstas na norma.
  5. Emitir o laudoO documento final registra a origem, o raciocínio, os resultados (quando houver ensaio) e a classe atribuída, assinado pelo responsável técnico.

Repare que a análise de laboratório não é o primeiro passo. Ela é uma ferramenta para quando a informação documental não é suficiente. Começar pela origem economiza tempo e evita ensaios desnecessários.

Erros comuns que encarecem ou complicam

  • Misturar resíduos diferentes: quando um resíduo perigoso é misturado a um não perigoso, o conjunto tende a ser tratado como perigoso. Separar na origem é a forma mais barata de reduzir custo de destinação.
  • Copiar a classificação de outra empresa: dois lava-jatos ou duas marcenarias usam produtos e processos diferentes. A classificação é do seu resíduo, não do ramo.
  • Amostra mal coletada: uma amostra que não representa o resíduo real gera um laudo que não se sustenta. A coleta precisa seguir as orientações técnicas aplicáveis.
  • Esquecer de revisar: mudou o fornecedor da tinta, trocou o desengraxante ou incluiu uma etapa nova? O resíduo pode ter mudado junto.
  • Guardar o laudo na gaveta: a classificação precisa chegar a quem preenche o manifesto de transporte, a quem negocia com o destinador e a quem mantém o PGRS.

Separar bem vale mais do que classificar depois. Uma lixeira no lugar certo, com identificação clara e equipe treinada, muitas vezes reduz o volume de resíduo perigoso mais do que qualquer negociação com o coletor.

Para onde vai a classificação depois de pronta

O laudo não é um fim em si. Ele alimenta várias obrigações ambientais da empresa:

  • Plano de gerenciamento: o PGRS descreve cada resíduo, a classe, o acondicionamento, o armazenamento temporário e a destinação.
  • Transporte e rastreio: o MTR emitido no SINIR precisa informar corretamente o tipo de resíduo e a classe.
  • Licenciamento: o órgão ambiental competente pode pedir a classificação como parte das informações da atividade ou como condicionante.
  • Contrato com o destinador: aterros, coprocessadores e recicladores costumam exigir a caracterização antes de aceitar o material.
  • Segurança do trabalhador: quem manuseia o resíduo perigoso precisa saber disso para usar a proteção adequada.

Este último ponto costuma ser esquecido. O mesmo produto químico que torna o resíduo perigoso também é um risco para quem trabalha com ele. Por isso, a classificação conversa com o inventário de riscos do PGR da empresa.

Quando chamar um especialista

Empresas com resíduos simples e bem conhecidos às vezes resolvem o enquadramento com a documentação que já têm. Vale buscar apoio técnico quando:

  • o destinador ou o órgão ambiental pediu um laudo formal;
  • o resíduo vem de mistura de produtos ou de processo com várias etapas;
  • existe dúvida entre classe I e classe II e a diferença pesa no custo;
  • a empresa vai elaborar ou revisar o PGRS ou entrar em licenciamento;
  • houve mudança de processo, de insumo ou de fornecedor.

Classifique seus resíduos com a MT12

A MT12 levanta a origem de cada resíduo na sua unidade em Goiânia ou região, reúne as fichas dos produtos, define se há necessidade de ensaio e entrega o laudo com a classe e a fundamentação. O laboratório responsável, a coleta e os prazos ficam definidos no orçamento. Conte pelo WhatsApp quais resíduos a empresa gera e veja também os serviços de consultoria ambiental.

Dúvidas

Perguntas frequentes

01Toda empresa precisa classificar os seus resíduos?

Toda empresa que gera resíduos precisa saber o que está descartando para dar a destinação correta. A classificação formal pela NBR 10004 é especialmente importante quando o resíduo vem de processo produtivo, contém produto químico ou é exigida no licenciamento, no PGRS ou pelo destinador.

02A classificação vale para sempre?

Ela vale enquanto o processo que gera o resíduo continuar o mesmo. Se a empresa troca matéria-prima, insumo químico, equipamento ou etapa de produção, o resíduo pode mudar e a classificação precisa ser revista.

03Preciso sempre mandar o resíduo para análise em laboratório?

Nem sempre. Em muitos casos, a origem do resíduo e as fichas dos produtos usados bastam para enquadrá-lo. A análise laboratorial entra quando a origem não permite concluir com segurança, e o laboratório responsável, a coleta e os prazos são definidos no orçamento.

Próximo passo

Conte o que a sua empresa precisa. A gente organiza o resto.

WhatsApp