Por que olhar o coração em um exame de trabalho
Algumas atividades não toleram um mal súbito. Uma arritmia que causa tontura dentro de casa vira acidente grave a dez metros de altura, dentro de um tanque ou perto de uma rede energizada. O eletrocardiograma ocupacional ajuda o médico a identificar alterações do ritmo e da condução elétrica do coração que possam colocar o trabalhador em risco naquela função.
O exame também é útil em cargos com esforço físico pesado ou calor intenso, em que o sistema cardiovascular trabalha no limite durante boa parte do turno.
Para quais funções ele costuma ser indicado
Nenhuma norma obriga o ECG para todos os trabalhadores. A indicação vem do médico responsável pelo PCMSO, que avalia os riscos de cada cargo. Os exemplos mais comuns são:
- Trabalho em altura: a NR-35 pede que o exame de aptidão considere condições que possam causar mal súbito e queda.
- Espaço confinado: tanques, silos, galerias e poços, onde o resgate é difícil.
- Eletricidade: eletricistas e equipes de manutenção em instalações energizadas.
- Direção profissional: motoristas de transporte de cargas e passageiros, a critério do médico.
- Esforço e calor: brigadistas, trabalhadores de fundição, carga e descarga.
Como é feito
- PosiçãoO trabalhador deita na maca, com o tórax, os punhos e os tornozelos descobertos.
- EletrodosPequenos adesivos ou ventosas são colocados no peito e nos membros. Não há corrente elétrica entrando no corpo: o aparelho apenas registra.
- RegistroEm poucos minutos, o traçado das derivações é gravado. A pessoa precisa ficar parada e respirar normalmente.
- LaudoO traçado é analisado e o laudo segue para o médico do trabalho, que usa a informação na conclusão do ASO.
O que o laudo informa e o que não informa
| O ECG de repouso mostra | O ECG de repouso não mostra |
|---|---|
| Frequência e ritmo cardíaco no momento do exame | Arritmias que aparecem só em alguns momentos do dia |
| Distúrbios de condução elétrica | Como o coração reage ao esforço |
| Sinais sugestivos de sobrecarga ou de alteração isquêmica | Detalhes da estrutura e das válvulas |
Quando o médico precisa dessas outras respostas, ele pode orientar exames de investigação como Holter, teste ergométrico ou ecocardiograma. Esses exames não fazem parte da rotina ocupacional e seguem pedido médico, pela área de cardiologia.
Conjunto para atividades críticas: em trabalho em altura e espaço confinado, o ECG costuma ser combinado com o eletroencefalograma, a acuidade visual e a avaliação psicossocial. Juntos, eles dão ao médico uma visão mais completa do risco de mal súbito.
Admissional, periódico e retorno ao trabalho
O ECG feito na admissão funciona como fotografia de partida. Nos periódicos, o médico decide se precisa repetir e com que frequência, levando em conta a função, a idade do trabalhador e fatores como hipertensão, diabetes, tabagismo e histórico familiar levantados na consulta. Não há regra de repetição igual para todos: o que vale é o que está registrado no PCMSO.
O exame também pode ser útil no retorno ao trabalho depois de um afastamento por problema cardíaco ou de uma cirurgia, e na mudança de função para uma atividade crítica. Um operador de almoxarifado promovido a trabalhar em altura, por exemplo, passa a ter riscos novos, e o médico pode querer o ECG antes de liberar a troca. Nessas situações, combinamos o exame com o exame de mudança de risco ou de retorno, conforme o caso.
ECG ocupacional na MT12
O exame é rápido e encaixa no mesmo atendimento do exame clínico. A empresa agenda pelo WhatsApp, a equipe confere no PCMSO quais complementares o cargo exige e o trabalhador resolve tudo em uma única visita. Os laudos ficam arquivados para comparação nos próximos periódicos.